Diagnóstico Comercial · Eixo Venda / Clientes

Onde a venda escapa

As travas que a ponta sente na rua, medidas em 7 revendas, e o que elas revelam sobre logística, material, tempo, preço e autonomia, separando o que dá para resolver já do que é estrutural.

73%
Preço vs atacado
trava nº1 · nas 7 revendas
72%
Logística / entrega
100% em Paulo Afonso
70%
Comodato / material
94% em Pombal
64%
Recurso / verba
falta no momento da venda

O que trava a venda não é o vendedor. É quase tudo o que acontece antes e depois dele.


As travas de venda

O que faz a venda escapar

Dez travas medidas na ponta, por incidência (piso, não censo). A cor indica a severidade: S1 compromete a venda agora; S2 corrói ao longo do tempo. Filtre por severidade para separar o urgente do importante.

Severidade
Preço acima do atacado e da concorrênciaS173%
Invasão do próprio produto, vendido mais barato em atacados. Há cliente que roda 40 a 50 km atrás de preço. Presente nas 7 revendas.
Logística e entregaS172%
Atraso, devolução por "tempo insuficiente", pedido parado em buffer e o motorista que não contata o cliente. A ponta absorve o desgaste. 100% em Paulo Afonso.
Comodato e material de PDVS170%
Freezer, mesa, cervejeira, fachada. A concorrência "dá freezer em 1 semana"; a regra de 90 dias trava o cliente novo. 94% em Pombal.
Falta de recurso / verba na negociaçãoS164%
O cliente está disposto a comprar volume alto, mas o recurso não chega ou não é aprovado a tempo, e a venda escapa para o atacado.
Rota efetiva, tempo e reuniõesS145%
O tempo mínimo obrigatório por cliente obriga o RN a esperar parado mesmo com o pedido feito, o que reduz os PDVs atendidos no dia. É o mesmo ponto que a gestão levantou. Pico em Bonfim e Juazeiro (64%).
Prazo, boleto e créditoS248%
Prazo curto contra 28 a 30 dias da concorrência, taxa alta no cartão, limite baixo e papelada. Chega a inativar cliente. Pico em Paulo Afonso (73%).
App / BEES / BI subutilizadoS242%
"Uma arma na mão", mas o preço demora a subir, o BI trava e o cliente tem baixo letramento digital, então tudo depende do RN presencial. O BI é "uma Ferrari" que ninguém acessa no dia a dia.
Ruptura / falta de produtoS227%
Falta de produto/CDR e perda da janela de lançamentos (ex.: premium). O RN vende o que não tem para entregar.
Burocracia e retorno entre áreasS225%
A demanda do RN (limite, janela, bonificação, troca) demora a voltar, e ele fica "sem justificativa" para dar ao cliente.
Remuneração e carreiraS119%
Menos citada na ponta, mas alta na liderança: o modelo de comissão está defasado, o fixo já supera a variável, e há RN pedindo demissão para rodar de moto por app. Aparece em venda, R&S e integração ao mesmo tempo.

Nenhuma trava corresponde à busca.

Percentuais são ordem de magnitude (piso) da pesquisa com a ponta: 122 respondentes, 7 revendas, cerca de 2.029 respostas.

Mapa de calor

Cada praça tem sua dor

Incidência de cada tema por revenda (% dos respondentes da praça). Passe o mouse para destacar; clique no nome de uma revenda para ler o retrato dela. Quanto mais forte a cor, mais a praça sente o tema; o contorno dourado marca o pico de cada linha.

Tema Alag. Bonf. Juaz. P.Afonso Petro. Pomb. Serr. Geral
Preço vs atacado trava8450738269757073
Logística / entrega trava76506810056758072
Comodato / material trava8850685556946570
Recurso / verba trava8067685556506064
Prazo / boleto / crédito trava4842647350254048
Relacionamento competência5633554562384048
Portfólio / marca força6442558250252548
Rota efetiva / tempo trava3258645531255545
App / BEES / BI trava4425504550383542
Ruptura / falta de produto trava3233231825312527
Burocracia entre áreas trava32333296382025
Valorização da ponta demanda28252395602024
Remuneração / carreira trava16032271962519
Menos sentido
Mais sentido · contorno dourado = pico da linha
Diagnóstico detalhado

Além do preço: o que cerca a venda

As travas medidas ganham contexto quando lidas por tema. Abaixo, o que sustenta cada uma e onde já existe alavanca para virar o jogo.

Nível de serviço ao cliente

S1·S2
  • Trocas e avarias represadas. Limite mensal insuficiente (ex.: R$150 para ~300 clientes) e reposição lenta enquanto o cliente já pagou. Na liderança, o volume de trocas saltou de 5 para 184 num mês.
  • Sem canal de status de entrega. O cliente liga ao RN cobrando uma posição que ele nem tem, e isso volta como desgaste na próxima visita. Ponta e gestão pedem a mesma coisa.
  • Ruptura e janela de lançamentos. Falta de produto/CDR e perda de lançamentos (ex.: premium) fazem o RN vender o que não há para entregar.

O nível de serviço não cai por atendimento. Cai por entrega e material. Onde houve vivência entre as áreas, o NPS subiu de cerca de 62 para 81.

Tempo de venda e produtividade

S1·S2
  • Rota efetiva obriga o RN a esperar parado mesmo com o pedido fechado, reduzindo os PDVs atendidos no dia.
  • Excesso de reuniões e matinais e demandas internas (financeiro, devolução, grupos) competem com o tempo de rua.
  • Excesso de metas e indicadores: dez indicadores tratados como dez focos, carteira de 30 a 40 PDVs por dia que não deixa atender no gabarito, e o RN ainda faz o meio de campo entre financeiro e logística.

"Tanto foco que fica sem foco."

Mercado, concorrência e canais

S1·S2
  • Invasão e perda de monopólio. Atacado abastecido de fora e invasão de área pressionam o preço na ponta.
  • Venda direta e marketplace competindo com a revenda: o cliente compra o mesmo produto mais barato, às vezes parcelado. A ponta sente isso como concorrência interna.
  • Share por praça exige planos distintos. Alagoinhas em torno de 20% (conquistar) contra Petrolina em 80% a 90% (manter). A mesma régua não serve para as duas.

Autonomia e burocracia

S1
  • Autonomia zero na ponta. O RN não decide e o GV não tem alçada: o pleito sobe ao regional ou à Ambev e volta em 2 a 8 dias. A política não escalona, e vale a mesma regra para 1 ou para 1.000 caixas.
  • Cadastro de clientes sem filtro nem aval do RN. "Qualquer um consegue cadastrar", o que gera PDV sem perfil e depois precisa ser inativado, num processo lento que derruba volume e indicadores.
  • Retorno lento entre áreas. Limite, janela, bonificação e troca demoram a voltar, e o RN fica sem justificativa para dar ao cliente.

"A palavra do GV não vale."

Remuneração: trava de venda e de retenção

S1
  • Modelo de comissão defasado (imposto pela Ambev): o fixo já supera a variável, e resultado baixo vira remuneração baixa num ciclo que desmotiva.
  • Fuga para alternativas. Há RN pedindo demissão para rodar de moto por aplicativo; a ponta pede a promoção para "RN 3" e melhora de carreira.
  • Atravessa tudo. A remuneração aparece em venda, atração e integração, então mexer nela destrava os três eixos de uma vez.
O que forma o bom vendedor

Competências de venda a desenvolver

A leitura da ponta sobre o que separa o "fera" do mediano, que é a matéria-prima do que o VGPB precisa treinar e do que a seleção precisa priorizar.

48%

Relacionamento é a competência nº1

"O cliente compra pela pessoa que vende." O oposto também aparece: o RN que só bate GPS, não liga e não atende cara a cara. É difícil de ensinar, então melhor priorizar na seleção.

21%

Atitude é o divisor

Foco, comprometimento, "vestir a camisa", não desistir. É isso, e não a técnica, que separa o fera do mediano. É também o traço mais difícil de treinar.

Gap nº1

Negociação e objeção

O gap técnico mais pedido: argumentação, persuasão, contorno do "não", venda além do planejado e leitura de margem/markup. Este, sim, se treina.

Base

Execução de PDV

"O cliente só compra o que vê." Os RNs negociam bem, mas pulam etapas de execução no ponto de venda. Aqui o treino é prático, não teórico.

O que preservar

Os ativos que já estão de pé

Antes da crítica, o reconhecimento: há forças reais, citadas espontaneamente pela ponta. São a alavanca e a matéria-prima do EVP.

48%

Portfólio, marca e entrega no dia seguinte

"Maior portfólio", marcas líderes, qualidade e entrega rápida. O maior ativo de orgulho e o principal argumento de venda da ponta.

Cuidado

Segurança no trabalho

EPI, moto e veículo citados espontaneamente como cuidado percebido, sobretudo no submédio (Juazeiro, Petrolina).

Alavanca

Suporte da liderança imediata

Onde existe (GV, coordenação, SNS), sustenta engajamento e pertencimento. Alavanca a padronizar entre praças.

24%

Valorização da ponta como demanda

O RN se vê como linha de frente e pede que o interno entenda a realidade da rua. Pico em Petrolina (56%), um orgulho que vale nutrir.

Síntese de prioridades

O que resolver, e em que ordem

Duas listas complementares: o que dá tração rápida com pouca dependência externa, e o que reposiciona o comercial de forma estrutural. Alterne entre as duas.

Dias · configuração

Canal de status de entrega ao cliente

O cliente acompanha a entrega sozinho e para de cobrar do RN uma posição que ele não tem, o que tira desgaste da próxima visita.

Dias · processo

Destravar trocas e avarias

Limite mensal realista e reposição rápida. Enquanto o cliente já pagou e espera, a confiança se corrói.

Dias · rotina

Contato do motorista + sinalização de PDV novo

Motorista alinha horário antes de chegar; o cliente recém-cadastrado é sinalizado para não cair no vácuo dos 90 dias.

Dias · ferramenta

BI dentro do app do RN

Levar a "Ferrari" para o dia a dia da rua: o dado que hoje trava ou nem é acessado passa a apoiar a negociação.